E uma leitura puxa outra, e que universo de conhecimento imenso que traz! Nos últimos meses redescobri o gosto, o prazer pela leitura...
Estou lendo "A Arte de Viajar" de Alain de Botton (recomendo!) que traz citações de Charles Baudelaire como exemplo do comportamento de fuga de diversas pessoas em relação a uma viagem (quem viaja levando a tristeza na bagagem dificilmente conseguirá fazer uma boa viagem).
Charles Baudelaire dizia: "Para qualquer lugar! Qualquer lugar! Desde que eu saia deste mundo!".
E navegando por esta "infernet" encontrei um poema que me interessou e vou compartilhar com vocês:
EMBRIAGUEM-SE
É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
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